quarta-feira, 8 de maio de 2013

Eminências cinzas.


Como todos nós já percebemos, se aproximam as eleições federais brasileiras, embora o calendário eleitoral esteja marcado para 2014, no entanto a dispendiosa e cínica corrida já começou: a geometria da disputa pelo trono quadriênio.

Gostaria aqui de ressaltar uma figura, um dos atores que orquestram os rumos, a postura e discursos daqueles que se apresentam como salvadores da pátria (os presidenciáveis): O marqueteiro. 
(Não sei o porquê, mas a o termo em si me soa desagradável semelhante a: marreteiro, paneleiro, embusteiro, encrenqueiro).

Quando vemos um candidato a presidente diante de nós no palanque ou na tela das mídias, nossa tendência inocente e romântica como cidadão é querer acreditar...
Queremos acreditar e depositar neste cidadão a confiança para que a situação melhore, para que finalmente o governo opere os acertos e mudanças que necessitamos como sociedade e nação.

Trágica ilusão, pois o que temos diante de nós é um produto elaborado, nem um pouco autentico ou sincero... Uma elaboração mercado-técnica (outra palavrinha desagradável que alçou voou com a funesta gerencia neoliberal do mundo).
Embora eu acredite que muitos dos que querem adentrar na politica o fazem por idealismo, por humanismo, por talento e vocação... Não obstante até os menos entendidos das tramas do poder percebem que o sistema é pervertido, corrompe e desfigura toda e qualquer aspiração honesta.

Vamos recuar no tempo – até o século passado -, precisamente na Alemanha no inicio dos anos 30 onde o partido nazista lutava para chegar ao poder através das disputas eleitorais.
Iremos nos centrar no personagem artífice que esteve por trás da elaboração estratégica que levaram o partido nazi ao poder; Dr Paul Joseph Goebbels.

Formado em literatura e filosofia, era reconhecido pelo seu grande talento como orador e extraordinária capacidade de manipular informações para moldá-las aos interesses do partido.
A campanha eleitoral de 1932 teve alguns elementos inovadores; o uso do avião para o deslocamento rápido e exposição do então candidato Adolf Hitler, que chegou a fazer de quatro a cinco comícios em diferentes cidades graças a este transporte, o uso do radio como ferramenta fundamental da panfletagem politico-eleitoral, a apropriação e uso de recursos estatais e o apoio da classe industrial (elementos conhecidos atualmente por nós eleitores), assim como dossiês e intimidações de toda espécie.

Her Goebbels-reconhecido como o pai da propaganda politica- além de redigir parte dos discursos de Hitler também orquestrava outra arma poderosa para o convencimento dos eleitores; era ele o editor chefe do jornal nazista: O ataque.

O uso da propaganda politica não foi exclusivo dos nazistas, não, pois todos os regimes nacionalistas, ditatoriais ou totalitaristas, usaram esta ferramenta até suas ultimas consequências para manterem-se no poder a custa da alienação e opressão de seu povo. Stalin, Mussolini, Mao Tse-tung seguiram as mesmas regras deste jogo considerando suas respectivas idiossincrasias.

Devemos considerar também que estes proto-marqueteiros do inicio do século XX atuavam, estavam motivados por particulares ideologias (que não vem a proposito agora discuti-las no sentido moral ou imoral, certo ou errado), eram tempos de revolução e de mudanças paradigmáticas, onde por infelicidade do gênero humano, conseguiram transformar iluminadas utopias em verdadeiros Leviatãs.

No Brasil a lição também foi bem aprendida pelo nosso ditador nacionalista Getúlio Vargas que teve o seu braço forte atuando no departamento de imprensa e propaganda onde além de reprimir os seus adversários políticos, mantinha-o como personagem onipotente, onipresente nas mentes e corações dos cidadãos tupiniquins.

Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros também usaram tal assessoramento propagandístico na formação de suas personalidades politicas, embora mais autênticos e pouco parecidos com a patifaria que vemos hoje instituída.

Após o regime militar e o processo de redemocratização dos anos 80s, conseguimos afinal a liberdade de poder eleger novamente um presidente civil.
Doce ilusão.

Todos nós podemos lembrar-nos da figura desconhecida surgida das sombras e de um partido igualmente nebuloso (PRN) que foi o então candidato Fernando Collor de Melo.

Nunca a mídia brasileira (representada pela rede Globo) jogou um papel tão decisivo nos rumos desta nação e juntamente com ela surgiram uma nova classe de operadores para o convencimento das massas e consciências: os tais publicitários-marqueteiros consagrados na figura eloquente-funesta de Duda Mendonça. Ele conseguiu fazer de um partido e candidato desconhecidos e sem projeto de governo, o vencedor da primeira eleição presidencial pôs ditadura (ele obviamente não estava só). Lembrando também que foi ele quem auxiliou a Paulo Maluf a ganhar a eleição para prefeito de São Paulo em 1992, operando um verdadeiro milagre na já queimadíssima imagem do velho politico “libanês”.

Dai por diante a lista de absurdos promovidos por esta classe de profissionais não termina (existem casos de exceção como, por exemplo: Jose Serra, que nem por toda magia empregada por estes senhores, irá conseguir faze-lo ganhar mais alguma eleição) e hoje nos deparamos com esta situação mais acentuada do que nunca.

A pergunta é: Em que se transformaram a politica, os movimentos partidários, onde se supõem que a militância, os ideais, a vocação deveriam ser as bases dos projetos e dos rumos de um governo?


Não é triste ver que a única preocupação dos candidatos e de seus sequazes-mercenários-publicistas, está apenas no resultado obtido pelas pesquisas de opinião que na maioria das vezes são de duvidosa exatidão?

Você não se pergunta sobre estas questões? Sobre estas absolutas incoerências entre o discurso dos candidatos, suas atitudes traidoras após ganharem o pleito eleitoral e, sobretudo na manipulação da verdade por detrás deste jogo mesquinho do poder?

Não te causa indignação ver estes senhores marqueteiros rindo da nossa cara por terem mais uma vez nos ludibriado? Ou se tornando famosos e ricos com dinheiros provenientes de verbas governamentais desviadas sorrateiramente?

Enfim por hora as coisas ficam como estão, onde a única preocupação dos próximos  candidatos a presidência de 2014, será apenas o bom serviço destes profissionais do engano, larápios, desonestos e manipuladores responsáveis pelas falácias de palanques e imagens enganosas que encarnarão nossos meios de comunicação.

Até breve Herr Goebbels.